Webnário | Estratégias de Planejamento de Estudos para a 2ª Fase do CACD

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Assista agora! Clique aqui.

Uma das maiores dúvidas que aparecem para os professores de 2ª fase do CACD é sobre como realizar uma estratégia eficaz de planejamento de estudos, que maximize os resultados no menor espaço de tempo. Embora essa resposta dependa de vários fatores, que variam de pessoa pra pessoa, é possível pensarmos em estratégias gerais.

Nesse webnário, apresento algumas estratégias de planejamento de estudos, de acordo com o nível do candidato (de novato a competitivo) e recursos disponíveis. Vou falar também sobre algumas técnicas de estudo eficazes para cada uma das fases e apresentar uma boa parte das soluções que o mercado para CACD oferece (sim, vou te dar um amplo panorama do que professores independentes e cursinhos estão oferecendo e mostrar como cada um pode ajudá-lo).

Neste webnário, você vai aprender:

– que o foco da motivação é a clareza de propósito, além de identificar o seu;
– que primeiro passo pra construção de uma estratégia é a clareza do percurso, além de visualizar o seu;
– identificar qual seu nível de desenvolvimento em relação à preparação para a 2ª fase;
– identificar claramente quais são seus dilemas atuais (e aprender a desabilitar dilemas de outros níveis), os hábitos que você precisa desenvolver para ter alta performance no seu nível e nos futuros níveis e quais devem ser seus objetivos de estudo atual e futuro;
– comparar as qualidades dos treinamentos do mercado de acordo com a sua necessidade e recursos.

Chega de tensão em relação ao planejamento de estudos para a 2ª fase!

Assista também ao webnário Os 3 grandes obstáculos da Produção de Texto para o CACD. Assista e baixe os materiais neste link: http://jornada.2fasecacd.com/webnario-3grandesobstaculos.

Conheça nossos treinamentos: www.2fasecacd.com

Entre em contato:
WhatsApp: +55 19 98219 1510
Facebook: www.facebook.com/muller.vivian
Email: profa.vivianmuller@gmail.com

Os 3 maiores obstáculos da Produção de Textos para o CACD

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Normalmente, vocês, candidatos, têm uma ideia completamente imprecisa sobre como textos são produzidos, não é mesmo? Pra alguns, aprender a produzir textos se resume a compreender a organização formal da língua dentro dessa macroestrutura linguística chamada texto. Essa é concepção simplista e imprecisa. Ela te rouba o direito de, de fato, fazer um texto conscientemente!

Produção de texto (a disciplina mesmo) não trata de construções gramaticas. Não mesmo! Produção de texto trata de estrutura e organização das ideias dentro de estruturas genéricas específicas, observando aspectos de textualidade. A produção de texto é a disciplina que intermedeia o que eu quero escrever/falar com o resultado no papel/na voz. Sua importância é gigantesca para ser resumida à mera dimensão linguística. Produção de texto um processo no qual se relacionam e se conectam as dimensões linguística (não só a concretização linguística, mas o raciocinar linguístico), a dimensão discursiva (os objetos do que se escreve/fala, as tensões de cenário que implicam em modulações e manipulações linguísticas, os motivacionais discursivos etc) e a dimensão temático-analítica (repertórios compartilhados que são organizados pela dimensão discursiva). Isso é produção de texto!

No webnário gratuito Os 3 obstáculos da Produção de Texto para o CACD, falei detidamente sobre essas três dimensões (linguística, discursiva e temático-analítica), sobre como elas vão se conectando ao longo do processo de produção de textos e geram, como resíduo próprio desse sistema, três grandes obstáculos processuais para a concretização de textos que serão aprovados. Esse conteúdo é muito importante! Se você tropeçar em um desses obstáculos, os posteriores estão comprometidos e a certeza de penalização é real.

Serviço:
Os 3 grandes obstáculos da Produção de Texto para o CACD
Assista à gravação agora! Clique aqui!
Dúvidas? Mande uma mensagem no WhatsApp: (19) 98219 1510

No Youtube

Há algum tempo, venho me organizando para ter um canal no Youtube para oferecer conteúdo de qualidade nesse formato, além dos cursos grátis* que eu eventualmente libero. Finalmente, o canal está funcionando e começando a crescer organicamente.

Neste post, eu quero te mostrar os vídeos que já produzi e te convidar a participar desse meu novo projeto. Por isso se você estiver interessado no conteúdo que produzo,

Se você acessar agora, já terá acesso a 3 vídeos muito legais:

  • [Para o concurso do CACD] Você sabe o que fazer (em termos de estrutura e organização das ideias) quando aparece na prova discursiva de 2ª fase o comando “interpretar”? Eu aposto que não!  Mas eu te conto neste vídeo.

Imagem Interpretar

  • [Para o concurso do CACD] Webnário sobre Grande Sertão: Veredas. Em comemoração aniversário de 60 anos de publicação dessa obra incrível, eu fiz um webnário muito massa sobre como a história de Riobaldo seria, metaforicamente, a história de formação da nacionalidade brasileira. Esse é um aspecto relevante da obra. Não me espantaria se caísse uma interpretação sobre isso na 2ª fase do CACD 2016.

Imagem Grande Sertão

  • [Para qualquer concurso, especialmente o CACD] Intertextualidade e Interdiscursividade.
    Qualquer bom estudo de textualidade e de seus fatores trata de identificar as intersecções entre o intertexto e o interdiscurso no texto. Neste vídeo, eu explico um pouco sobre essa relação, que é melhor trabalhada nos meus treinamentos, e trato, mais especificamente, das formas de intertextualidade (e de como ela aparece na prova discursiva).

Imagem Intertextualidade

Espero que o conteúdo desses vídeos e dos próximos seja relevante para sua preparação. Se você quiser debater o conteúdo do vídeos, participe do GRUPO EXCLUSIVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/365DiasComProfaVivianMuller/.

Bons estudos!

* Cursos grátis disponíveis neste momento:
Se você estiver estudando para o CACD, poderá acessar meu treinamento gratuito Conhecendo Leituras Brasileiras. Se você não sabe o que estudar em termos de conteúdo e análise, neste curso eu traço um panorama bastante amplo e completo que te ajudará bastante. Acesse a página do curso clicando aqui.

 

Uma mente calibrada para a vitória

Tudo acontece na mente.. a vitória e a derrota.

A maioria dos grandes nomes mundiais de desenvolvimento pessoal afirmam que você é a  forma como o seu interno entende/compreende/recebe/se relaciona com o seu externo.

Eles defendem também que quando você blinda sua mente para o seu propósito (ser aprovado num concurso, por exemplo) e age no sentido de realizar esse propósito, os acontecimentos externos não são capazes de barrar a sua ação. Eles podem dificultar ou atrasar a vitória (ou a realização da meta), mas são impossíveis de derrubá-la.

Diariamente, todo mundo sofre com empecilhos para a realização das suas metas, mas o que vai definir o seu sucesso é a forma como você lida com isso e o que você aprende . O derrotado não é aquele que perde, é aquele que desiste. Quando o que você está fazendo torna-se o seu propósito, você não desiste, você está presente para o fato de que os empecilhos (perdas ao longo do caminho, dificuldades, situações adversas, falta de grana, pessoas negativas e contrárias etc) são parte do caminho, e blinda sua mente para continuar fazendo o melhor que pode, agindo constantemente no sentido da sua missão.

 


Hoje, eu queria que você assistisse o vídeo do Gabriel Goffi. Ele foi um grande jogador de poker e hoje está trabalhando com desenvolvimento pessoal de alta performance. Se você quiser saber mais sobre ele, clique aqui. O vídeo é bem curtinho, mas vai elevar sua percepção sobre a sua missão e sobre como ter melhor desempenho.

Além do vídeo, baixe também o e-book dele chamado “Os 9 passos para você viver em Alta Performance“. Vale muito a pena você estudar e desenvolver sua performance pessoal e reprogramar seu mindset, assim como você faz com as disciplinas do seu concurso. Eu tenho certeza que trabalhando o seu desenvolvimento pessoal, o seu mindset e a sua produtividade, seus resultados serão maximizados.

Eu estou muito focada nesse tipo de conteúdo e venho estudando esses temas tem quase 1 ano. Se você quiser que eu escreva mais sobre isso, deixe um comentário aqui no post. Pode ser um simples “eu quero saber mais sobre desenvolvimento pessoal”, ou você pode me contar sobre seu interesse nessa temática. Fechou?

A gente se fala em breve!

Paz, bem e abundância para todos!

Profa. Vivian Müller

[CURSO GRÁTIS] Quer entender a 2ª fase do CACD?

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O que é que a banca da 2ª fase do CACD espera de mim? O que e como eu devo estudar para conseguir ter um bom resultado?

Provavelmente, você já se fez essa pergunta umas 1.583 vezes!

Durante os 5 anos em que trabalho com preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, CACD, não tive a oportunidade de conhecer um único candidato que não tenha feito essas perguntas. Até mesmo entre os candidatos mais avançados, a dúvida é frequente. Não só a dúvida é frequente, mas também os erros relacionados ao conteúdo temático e à elaboração de análise durante a preparação são recorrentes. Você tem ideia do prejuízo de uma preparação equivocada?

Como resolver isso? 

Bom, eu queria que a resposta fosse simples, mas ela não é. A primeira etapa, sem dúvidas, é saber o que a banca espera de você. Não falo em termos de argumentação (que é a parte de técnica linguística da produção de um texto argumentativo), mas de conteúdo (o que pode ser objeto de questionamento) e análise (que é como pensar as relações entre o conteúdo). Você saberia responder agora o que a banca espera de você nesses dois quesitos? As respostas, certamente, ficariam entre a dúvida completa e algumas poucas certezas. Recebo em torno de cinco dezenas de mensagens mensais de candidatos preocupadíssimos com o que e com estudar para a 2ª fase. Uma boa parte, por incrível que pareça, dessas mensagens é de candidatos já aprovados para a fase discursiva de Língua Portuguesa que não tiveram desempenho para seguirem adiante no concurso.

Como as dúvidas são enormes, eu criei um curso 100% GRÁTIS chamado CONHECENDO LEITURAS BRASILEIRAS. Neste curso, eu disponibilizo meu melhor conteúdo sobre a concepção temática e analítica da banca da 2ª fase, identificando como são pensadas e estruturadas as cobranças da prova, quais as abordagens que ela tomou nos últimos 10 anos, como deve ser seu raciocínio ao estudar e ao realizar a prova.

Eu tenho certeza que o Conhecendo Leituras Brasileiras irá expandir a sua mente e quebrar muitos paradigmas relacionados à 2ª fase. Sou franca em afirmar que eu coloquei neste curso é o meu melhor conteúdo, algo realmente de valor que vai transformar sua visão sobre estudo temático e analítico para o CACD. Não acredite apenas no que eu falo aqui, matricule-se, veja os vídeos, leia as bibliografias. Depois, volte aqui e deixe seu comentário, ok?

Onde fazer a matrícula?

Você pode se matricular clicando no botão abaixo. Você será direcionado para a página do curso, na qual você terá todas as informações sobre o Conhecendo Leituras Brasileiras e poderá fazer sua matrícula (apenas informando nome e e-mail).

matricule-agora

No ambiente do aluno, você terá acesso aos vídeos, aos materiais didáticos e às bibliografias digitalizadas. A liberação dos vídeos ocorre durante 3 dias consecutivos, a contar da matrícula. Você terá 30 dias para ver o curso quantas vezes quiser, ok?

Quero muito seu feedback!

Depois de realizar o Conhecendo Leituras Brasileiras, eu ficaria muito feliz se você me desse seu feedback: quais os pontos positivos e negativos do curso, como eu pude te ajudar com o conteúdo do curso e como você gostaria que eu continuasse te ajudando. Então, fica aqui o meu pedido de comentário! 😉

Aproveite o curso!

PRESENTÃO para comemorar meu retorno: Bibliografia Completa de Leituras Brasileiras GRÁTIS!

Olá, pessoal! Como vocês estão?

Faz muito, muito, muito tempo que eu não posto nada aqui nesse blog. Por favor, me perdoem por isso!

Esse é um post bem rapidinho, para partilhar um pouco da minha vida recente e para dar um mega presente!

Alguns de vocês sabem que, no final do ano passado, eu adoeci e tive de me afastar das aulas que ministrava. Desde então, tenho passado por um sofrido tratamento de saúde, fiquei até bem descrente da vida. Agora, estou começando a me sentir melhor, mais revigorada, embora ainda não totalmente curada. A descrença na vida me fez pensar sobre os motivos que eu tinha para viver… Não sei se você já passou por isso em sua vida, mas, se já, sabe bem o que estou falando. Você começa a pensar: “ou eu vejo um propósito para minha vida, ou eu morro de vez!”. Bom, resumindo muito, foi isso que me aconteceu. E isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Existe um conhecimento que diz que “a ferida é por onde a luz entra em você”. Acabei estando presente para o meu propósito de vida: ensinar, passar o que eu aprendo para outras pessoas, agregar valor as suas vidas, transformar.

Por causa disso, decidi começar a retomar meu projeto transformador dando (sim, isso mesmo, é grátis!) para quem estuda para o CACD algo que é muito importante para mim: as minhas mais preciosas indicações bibliográficas. Sim, a indicação bibliográfica completa do meu curso Leituras Brasileiras. Você não tem ideia da revolução que essa bibliografia é capaz de causar na sua preparação! Tal bibliografia vai dinamizar e ampliar seu poder analítico sobre o Brasil e sobre a cultura e a identidade brasileiras a um nível elevadíssimo!

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Capa do e-book grátis com toda a bibliografia para estudo temático para a 2ª Fase do CACD

Para receber imediatamente essa bibliografia, basta clicar aqui ou na imagem abaixo e deixar seu e-mail. Simples, né? Em seguida, você receberá um e-mail meu, pedindo para você confirmar seu cadastro. A bibliografia será liberada mesmo sem confirmação do cadastro, MAS só quem confirmar o cadastro vai receber instruções para receber gratuitamente o meu Leituras Brasileiras – Manual Temático de Estudos para a 2ª Fase do CACD. Trata-se de um e-book com TODOS os meus apontamentos de aula, um eficaz roteiro de estudos resenhados. Eu pretendo vender esse e-book em breve, mas, quem confirmar a inscrição saberá, em alguns dias, como poderá ter acesso ao manual gratuitamente e muito antes de ele estar a venda.

Inscrição_Bibliografia-LBClique na imagem para se cadastrar e receber agora a bibliografia para começar a estudar!

É isso aí, cadastre-se e receba agora mesmo as minhas preciosas informações bibliográficas.

Essa informação foi útil pra você? Se foi, eu quero te pedir duas coisas:
1) Compartilhe com seus amigos, eles também podem estar precisando desse mesmo conteúdo que você;
2) Deixe um comentário abaixo me dizendo se você gostou, se não gostou e o motivo. Isso é útil pra me ajudar a melhorar e pra me dar aquele gás para produzir mais conteúdos úteis e gratuitos pra você.

Foco nos estudos! Firmes que a vitória é garantida!

Meu mais sincero abraço!
Profa. Vivian Muller

TUDO para a 2ª Fase do CACD – Publicações anteriores relevantes

CACDistas,

O blog tem recebido um número enorme de visitas por esses dias. As buscas estão sendo muito intensas em relação aos conteúdos materiais e bibliográficos que disponibilizei aos candidatos do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), ao longo desses anos, sobre a 2ª fase do concurso.

Por conta disso, resolvi fazer uma compilação das postagens que interessam sobremaneira aos estudantes/candidatos para facilitar a busca por informações relevantes e, consequentemente, permitir melhor aproveitamento de tais informações para o estudo. Segue:

CONTEÚDO DE AULA DE LEITURAS BRASILEIRAS

Romantismo brasileiro para o CACD – http://goo.gl/pk8yn

CONTEÚDO DE AULA DE TEORIA E PRODUÇÃO DE TEXTO

Aula 1 – Curso de Produção de Texto e de Leituras Brasileiras para o CACD 2013 – http://goo.gl/bpZN8

BIBLIOGRAFIAS DE LEITURAS BRASILEIRAS

Primeiras bibliografias – Curso de Produção de Textos e Leituras Brasileiras para o CACD 2013 – http://goo.gl/eIVHc

Intérpretes do Brasil – Literatura sociológica indicada para o CACD/IRBr – http://goo.gl/g4gIb

CACD 2012 – Indicação bibliográfica resumida para a 2ª Fase – http://goo.gl/n1XmZ

A identidade nacional brasileira, de Michel Debrun – http://goo.gl/q9Yr1

Lima Barreto – ‘Diário do hospício’ e ‘O cemitério dos vivos’ – http://goo.gl/eOERX

O cosmopolitismo do pobre – http://goo.gl/3i8Nj

CADERNOS DE PROVAS DISCURSIVAS DO CACD

Cadernos de provas discursivas do CACD de 2005 a 2011 – http://goo.gl/VZfv1

PROPOSTAS INÉDITAS DE PRODUÇÃO DE TEXTO

Propostas de Produção de Texto para o CACD 2012 – Inéditas – Blocos 1, 2 e 3 – http://goo.gl/8G9L2

Propostas de Produção de Texto para o CACD 2012 – Inéditas – Blocos 4, 5 e 6 – http://goo.gl/Uw5e0

MATERIAIS DIVERSOS

Sobre Bauman e Giddens – http://goo.gl/PSMBw

Diplomacia e Literatura – Os embaixadores do sertão – http://goo.gl/jF6iY

Título em redação – http://goo.gl/36Ehm

Espero que todo o material seja muito útil ao estudo de vocês. 

Por favor, não deixem de compartilhar com os amigos!

Bons estudos!

ROMANTISMO BRASILEIRO PARA O CACD

Olá, pessoal!

Depois de algum tempo sem postar, quero conversar com vocês sobre o Romantismo brasileiro e sua importância para os estudos para a 2ª fase do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

São muito comuns as dúvidas a respeito do início dos estudos temáticos para a segunda fase. Sinceramente, eu penso que, para esse perfil de prova, o início mais tranquilo e efetivo é aquele que começa sem perceber, durante a formação vivencial e intelectual, muito antes de serem iniciados os estudos para o concurso. Entretanto, sabemos que essa não é a realidade da grande maioria dos candidatos. Se você não vem maturando conhecimentos relacionados à ideia de nação brasileira que abranjam multivisões antropológicas, sociológicas, históricas, literárias, filosóficas, políticas, enfim, humanísticas de um modo geral, deve procurar alguém especializado para orientá-lo. Essas múltiplas visões não são encontradas em um punhado de obras, elas precisam ser interpretadas à luz da visão da Banca Examinadora. Isso é inicial e facilmente constatado por quem conhece, por exemplo, o conceito de “cultura” tomado pela Banca. Os alunos ficam surpresos como essa palavra, que facilmente pode ser inserida em um enunciado de prova (veja o exemplo da questão I da prova deste ano), pode enganar muitos candidatos incautos.

Bom, caso você não tenha, realmente, como ter a ajuda de um profissional, mas quer começar de alguma forma, comece pelo Romantismo brasileiro. Seu foco deve ser orientado para os autores (literários, historiográficos, políticos etc) que ofereceram contribuições para a formação da ideia/conceito de nação brasileira e para a qualificação do brasileiro como povo. Esse é o segredo do estudo: em qualquer escola estudada, fixe nos autores que ofereceram essa contribuição. No Romantismo, esqueça os românticos egóticos, por exemplo. Pode ser que eles caiam em questões de literatura para a primeira fase, mas é muito difícil aparecerem em questões de segunda fase.

Vou disponibilizar o material da aula dada para os alunos das turmas regulares do Curso de Produção de Texto e de Leituras Brasileiras para vocês compreenderem os aspectos que podem ser cobrados. Um grande problema de quem estuda sozinho (ou mesmo em algum curso que não ofereça bibliografia completa) é conseguir ter acesso a um universo intelectual diferente do básico (como, por exemplo, Alfredo Bosi e Antonio Candido, para não citar os autores rasos, ginasiais). Um segundo grande problema de quem estuda sozinho, é concatenar conhecimentos e conteúdos, inclusive dentro de uma mesma área, como a literatura ou a sociologia. De qualquer forma, acho que será esclarecedora a análise do material que agora disponibilizo, pois ele oferece um caminho de abordagem a seguir. Já aconselhei muitas vezes a compra do livro “Leituras brasileiras” (da Mariza Veloso e da Angélica Madeira, professoras do IRBr) e, novamente, chamo sua atenção. Esse livro vai norteá-lo para a prova.

Segue, então, a disponibilização do material de aula. Ele está carregado no SlideShare e você pode baixar e usar sempre que precisar. Publico também a proposta de produção apresentada para meus alunos, relativa à temática Romantismo e a ideia de nação no Brasil (CLIQUE AQUI PARA BAIXAR).

Bons estudos!

AULA 1 – Curso de Produção de Texto e de Leituras Brasileiras para o CACD 2013

Olá, pessoal.

A primeira aula da Turma Joaquim Nabuco (Turma A), do Curso de Produção de Texto e de Leituras Brasileiras para o CACD 2013, foi um sucesso! Por causa disso, decidi compartilhar os slides de tal aula com todos os colegas que acompanham o blog.

Aproveito para informar que ainda há vagas para a Turma B (ainda sem nome). Quem estiver interessado, não deixe de escrever para profa.vivianmuller@gmail.com.

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INTÉRPRETES DO BRASIL – Literatura sociológica indicada para o CACD/IRBr

Olá, pessoal!

Há algum tempo, penso em escrever um conjunto de artigos sobre a bibliografia de natureza sociológica para a preparação do candidato ao CACD. Meu interesse maior é apresentar as grandes obras e estabelecer relações com as indicações bibliográficas de natureza literária, também importantes para a compreensão da cultura e do desenvolvimento do Brasil. Pretendo realizar tal missão em partes, que serão apresentadas ao longo do ano.

Para iniciar nosso estudo, vou postar as indicações bibliográficas para que os interessados em acompanhar as análises, ao ler meus comentários e minhas análises, já tenham alguma intimidade com tais obras.

Subscreva o blog para receber notificações sobre a publicações dos artigos futuros.

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Intérpretes do Brasil – Literatura sociológica indicada para o CACD

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NABUCO, Joaquim. O Abolicionismo.

 http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/1078/4/667747.pdf

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CUNHA, Euclides. Os Sertões.

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000153.pdf

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 BOMFIM, Manoel. A América Latina – Males de Origem.

Por R$ 43,00 no site da Livraria Cultura.

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VIANA, Oliveira. Populações Meridionais do Brasil.

Por R$ 20,00 no site do Senado Federal.

PRADO, Paulo. Retrato do Brasil.

Por R$ 39,90 no site da Livraria Cultura.

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FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala.

Por R$ 68.80 no site da Livraria Saraiva.

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FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos.

Por R$ 98,00 no site da Livraria Cultura.

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FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso.

Por R$ 110,00 no site da Livraria Cultura.

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HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil.

Por R$ 37,80 no site da Livraria Saraiva.

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PRADO, JÚNIOR. Formação do Brasil contemporâneo.

Por R$ 39.90 no site da Livraria Siciliano.

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FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil.

Por R$ 55,00 no site da Livraria Cultura.

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Os preços apontados foram pesquisados no dia 29/06/2012 e servem apenas um indicativo de gastos para o estudo, não gera nenhuma obrigação para as empresas citadas, que podem alterá-los a qualquer tempo.

Agora, boa leitura!

Forte abraço!

Elementos/sinais gráficos e marcas identificadoras na prova discursiva

Olá, pessoal.

Recebi um e-mail de um candidato ao concurso da Câmara dos Deputados com uma dúvida que é bastante frequente: colocação de elementos gráficos que possam ser considerados marcas identificadoras pelas bancas corretoras.

Estou com uma dúvida me tirando o sono. Fiz recentemente um concurso da Câmara dos Deputados.

A prova discursiva era um parecer técnico em que havia as subdivisões: ementa, relatório, parecer e conclusão.

Acontece que eu sublinhei essas divisões. Corro o risco do CESPE considerar como marca identificadora?

Muito obrigado pela atenção

Gustavo – Brasília/DF

É importante salientar, desde o início, que inexiste qualquer tipo de orientação das bancas sobre marcas de identificação indevidas. O que existe são normas gerais de marcação estipuladas na teoria de produção de texto e, claro, bom senso na avaliação.

O candidato deve saber que alguns elementos gráficos são permitidos, desde que utilizados de acordo com a padronização teórica. O exemplo disso são as aspas. As aspas (“…”) são um sinal gráfico de uso autorizado cujo objetivo é identificar:

a)      Citações em discurso direto. Quando, na escrita de um texto, utilizamos segmentos específicos e literais do texto de outro autor, devemos utilizar-nos das aspas para indicar tal literalidade (cópia). Exemplo de citação em discurso direto:

Escreve Nabuco que, em sua vida, viveu “muito da Política, com P grande, isto é, da política que é histórica”, para logo em seguida afirmar a sua dupla incapacidade para viver plenamente “a política propriamente dita, que é local, a do país, a dos partidos”.” [SANTIAGO, Silviano. A atração do mundo. In: ____________. O cosmopolitismo do pobre. Belo Horizonte: Editora UFMG: 2004. p. 13.]

Quero que vocês observem que o exemplo que estou dando já é considerado um tipo de citação em discurso direto, por isso as aspas iniciais e finais foram colocadas no segmento transcrito. Dentro da minha citação, o autor que utilizo como exemplo, Silviano Santiago, usa, em seu texto, palavras literais de Joaquim Nabuco, motivo que o leva a colocar aspas em dois segmentos (“muito da Política, com P grande, isto é, da política que é histórica” e “a política propriamente dita, que é local, a do país, a dos partidos”). Isso é citação em discurso direto.

b)      Palavras estrangeiras. Inicialmente, é importante salientar que a orientação é sempre para que vocês evitem palavras estrangeiras, pois isso é considerado um vício de linguagem e pode ser apenado. O uso de palavra estrangeira só se justifica quando não há aportuguesamento ou palavra/expressão que signifique a mesma coisa em português.  Exemplo do uso de aspas para escrita de palavra estrangeira:

O software livre atende a tais requisitos porque possui um conjunto de características técnicas e econômicas que auxiliam no processo decisório, dentre as quais podemos citar o ciclo de atualizações em convergência com o mercado, alinhamento com o acelerado surgimento de novas tecnologias, otimização de “hardware”, suporte a maior demanda de recursos e domínio sobre as soluções adotadas.” [SANTOS, Dinis Agostinho dos. Estamos no caminho certo. In: Portal Software Livre. Disponível na internet: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/estamos-no-caminho-certo/. Acesso em 19/06/2012]

Observe que o autor do texto acima errou e acertou na mesma construção. Logo na primeira linha, ele não colocou a pontuação necessária para indicar palavra estrangeira, sendo que a construção correta é “O “software” livre atende…”. Adiante, na linha 5, ele acerta ao registrar as aspas na palavra “hardware”.

A sublinha não é considerada um sinal gráfico, mas um elemento gráfico. Ela é usada, nos textos de concursos públicos, para indicar títulos ou partes de obras (sutítulos/subpartes). Vejamos exemplos do correto uso da sublinha:

EX. 1.

“As teses conservadoras que atribuíam a abolição, exclusivamente, a articulações políticas das elites burocráticas são contestada por historiadores que, como Sidney Chalhoub, em Visões da liberdade, argumentam que a resistência dos negros escravizados foi aspecto fundamental para a queda das instituições escravistas do Segundo Império.” [Texto de aluno, adaptado]

EX. 2.

Em Teoria do Medalhão, conto disposto na obra Papéis Avulsos, Machado de Assis realiza uma crítica irônica à sociedade burguesa de sua época. [Elaborado pela professora]

Primeiramente, notem que, no primeiro exemplo, usei aspas para indicar que citei o texto de um aluno, que não o identificarei para manter sua privacidade. Observem também que, quando meu aluno citou da obra de Sideney Chalhoub, ele o fez sublinhando o título de tal obra, “Visões da liberdade”.

No último exemplo, observem que o conto Teoria do Medalhão é parte da obra Papéis Avulsos. Trata-se, evidentemente, de uma subdivisão não necessária (como não é o caso das subdivisões do parecer técnico), mas entendo que, em casos de subdivisão necessária ou não, a sublinha deve ser utilizada.

No caso trazido pelo Gustavo, não haveria dúvidas em relação à colocação da sublinha se ele tivesse citado uma subdivisão necessária de um parecer real, elaborado por um especialista. A dificuldade está no fato de a sublinha ter sido empregada em texto próprio. Penso trata-se de uma conduta que não será apenada, embora o caso não seja abordado pela teoria da disciplina. Utilizo o bom senso para fazer essa avaliação, pois, na medida em que a sublinha realizada pelo Gustavo indica parte de seu texto, a orientação teórica em relação à sublinha é, positivamente, adaptada. Não acredito que o CESPE tome o caso como marca identificadora.

Existem, entretanto, alguns elementos gráficos que são (ou tendem a ser) apenados como marca identificadora, que são:

a)      Desenhos. Algumas pessoas, quando colocadas em situações de tensão, extravasam rabiscando e desenhando nas margens. Esse comportamento, certamente, será penalizado caso ocorra na folha de texto definitivo (aquela que você irá entregar para correção). Propositadamente ou não, tome cuidado para não marcar seu texto definitivo com nenhuma dessas marcas (rabiscos e desenhos).

b)      Rubricas. Essa dica vale, principalmente, para o pessoal da área jurídica, que aprende, desde a faculdade, que documentos são sempre assinados ou rubricados. Não, essa regra não vale para sua prova discursiva! Embora seja um documento, a folha de texto definitivo não admite rubricas e assinaturas confirmatórias.

c)      Título em redação/questão discursiva/peça técnica. Somente em casos expressos, intitule sua redação, questão discursiva ou peça técnica. Para maiores orientações, acesse o post sobre esse conteúdo clicando aqui.

Espero ter ajudado.

Bons estudos!

Forte abraço,

Profa. Vivian Müller.

Diplomacia e Literatura – Os embaixadores do sertão

Os embaixadores do sertão

A diplomacia influenciou a literatura de Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa e João Cabral

Revista Pesquisa FAPESP | CARLOS HAAG | Edição 195 – Maio de 2012

Em 1956, quando o presidente Juscelino Kubitschek lançou o seu Plano de Metas, destinado a modernizar o país, Guimarães Rosa (1908-1967) publicou as novelas de Corpo de baile e Grande sertão: veredas. Era embaixador e trabalhava no Itamaraty, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, João Cabral de Melo Neto (1920-1999) publicou Duas águas e os inéditos Morte e vida Severina, Paisagens com figuras e Uma faca só lâmina. O diplomata foi transferido para Barcelona, como cônsul-adjunto. Ainda em 1956, Vinicius de Moraes (1913-1980), voltava de Paris, após ocupar o cargo de segundo secretário de embaixada. Escreve o poema Um operário em construção para o primeiro número da revista Para Todos, convidado por Jorge Amado. Também inicia a parceria com Tom Jobim, a quem convida para musicar Orfeu da Conceição, encenada no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro naquele ano. Na contramão do otimismo geral do Brasil novo, nas obras do trio transita uma multidão pelo sertão e pelas favelas, estrangeiros na sua terra.

“O ano de 1956 foi emblemático, porque nesses textos nota-se uma não integração à verdade alardeada pela produção da modernidade. Há, nos autores, um deslocamento da percepção para lugares mais recônditos da estrutura social, dos sujeitos menos favorecidos pela escala social. Cabral, Rosa e Vinicius questionam os lugares hierárquicos tradicionais, impostos como naturais à ordem coletiva”, explica o crítico literário Roniere Menezes, professor do Centro Federal de Educação de Minas Gerais (Cefet-MG) e autor da pesquisa O traço, a letra e a bossa: literatura e diplomacia em Cabral, Rosa e Vinicius (Editora UFMG). Os três, além de se destacarem do otimismo nacional, também apresentavam um “sertão” (ou, no caso de Vinicius, as favelas, análogas ao sertão) muito diverso do sertão exótico, saudosista e contrário ao moderno – muitas vezes tratado com tintas da política representativa tradicional –, como ocorre na obra de alguns colegas de letras. Os autores, ao construírem suas imagens do povo brasileiro, interessaram-se mais pela questão ética que pelo viés político partidário.

Se há diferenças entre os autores, eles apresentam um ponto semelhante: eram diplomatas. “Mais do que uma coincidência, o trabalho diplomático, ou seja, a aproximação com a exterioridade de um sistema, abertura para o jogo de diferenças existentes na vida social, cultural e política, permite articular os projetos tão heterogêneos dos três, com caminhos estéticos diversos, mas uma mesma preocupação: a tensão entre o discurso do Brasil desenvolvimentista das elites e o discurso do Brasil arcaico, carente, rural ou urbano”, observa Menezes. “Esses escritores-diplomatas corroeram a ideia de um regionalismo fechado, enrijecido, alheio às conexões com o mundo exterior. Ao mesmo tempo, caminham na contramão das pretensões de um Estado desenvolvimentista focado na ideia de unidade nacional. Seus textos enfatizam as identidades diversas do país, a multiplicidade de culturas e demandas sociais do Brasil”, analisa. Da mesma forma que o movimento da escrita diplomática se pauta pela “desterritorialização”.

Os escritores diplomatas são viajantes de um Brasil perdido nos labirintos da modernização. “A tensão criada no espírito ao mesmo tempo burocrata (eram funcionários do Estado) e ‘turista’ desses autores traz um olhar agudo para aqueles  ‘estrangeiros’ nativos que perambulam pelo seu país, como as massas de refugiados do pós-guerra, buscando uma moradia. O deslocamento, o exílio, a adaptação complexa a outras terras, parte vida diplomática, contribui para a desterritorialização do pensamento”, avalia o pesquisador. A realidade social que seus textos revelam é abordada por uma ótica de exterioridade.

“A escritura diplomática desconfia do vínculo limitado com os lugares. Cabral, Rosa e Vinicius sabem que não podem escrever ‘de dentro’, não têm o discurso do sertanejo ou do favelado. Por isso criam ‘espaços do fora’, onde fazem ressoar as vozes do ‘dentro’. Essa perspectiva de fronteira, nem dentro nem fora, busca o constante diálogo entre diversas proposições, gerando novas reflexões, novas configurações estéticas”, nota Menezes.

No itinerário dos escritores-diplomatas surgem ressonâncias, aproximações, traduções entre as produções culturais de várias partes do mundo, exatamente num momento em que o país experimenta sua modernidade tardia, em que a produção local se articula com a estrangeira e os conceitos de dependência começam a sofrer interferência dos conceitos de simultaneidade cultural. Ainda que, no Brasil, a ideia de modernidade tenha surgido antes do processo de modernização. Brasília é o símbolo disso, como capital de um Estado de “vanguarda” numa nação em que muitos valores da modernidade não foram sequer assimilados. “Nisso, os três escritores foram sábios em lançar mão da escritura diplomática, em especial na utilização do afeto em relação ao outro no reconhecimento do exterior aos lugares estabelecidos”, analisa o pesquisador.

O trabalho com a diplomacia funciona como alegoria do processo de criação literária de se pensar a escritura como uma relação com a alteridade. Daí a imagem da simpatia que os autores desenvolvem pelos “estrangeiros” da modernidade que circulam em território brasileiro.

“Os autores desenvolveram o pensamento da ‘estrangeiridade’, a abertura para outros modos de saber e de expressão. Ao mesmo tempo em que atuam no campo burocrático ou literário, buscam a convivência com diversidade social, estética e cultural nativa, subjetiva ou concreta, ligada à grande arte ou à tradição popular”, avalia Menezes. Rosa, em suas experiências na Europa, durante a guerra, viveu a perda de certezas na própria humanidade e fez da insegurança diante da ordem estrangeira a possibilidade de criação de linhas de fuga pela literatura. O enfrentamento das fragilidades humanas em terras inóspitas liga-se intimamente à formulação artística. O trabalho estético, então, ganha força política restauradora, pois se relaciona à vontade de transformação individual e coletiva.

Dualista
Para o pesquisador, a transdisciplinaridade possibilita a criação de espaços de estrangeiridade mesmo em relação aos pensamentos mais íntimos. “Rompe-se com o pensamento estanque, dualista, aprende-se a olhar com as lentes do outro, a sentir um pouco da insegurança das terras desconhecidas. A experiência com a terra estrangeira, com os espaços diferentes cria no viajante o interesse pelo novo de forma aguçada. Isso faz com que eles reconheçam suas limitações, fiquem mais abertos e mais tolerantes aos diversos modos de existência”, observa.

Há a constatação de que é preciso sair da interioridade e ir em direção a outras formas de pensamento e o conceito de diplomacia é fundamental como a busca de um diálogo com uma exterioridade em relação ao sistema instituído. “A diplomacia oferece à escritura a capacidade de pensar o outro não por regras consolidadas, mas pela capacidade de ser olhado por esse outro, de deixá-lo invadir o discurso e dar novo significado ao pensamento e ao próprio ato de criação”, fala Menezes.

A isso se junta o apuro da escrita, já que os diplomatas sabem o quanto há de construção linguística, de técnica retórica, de jogos de poder em cada trecho de um argumento. “A atenção e o cuidado com as minúcias da linguagem, as estratégias de convencimento, o preparo intelectual, o controle para que aspectos sentimentais ou irrefletidos não interfiram nas negociações refletem a ‘prudência’ diplomática presente na produção artística dos três.” Mas, ao contrário da diplomacia oficial, com regras e dogmas, a “diplomacia literária” ou “diplomacia menor” tem como força maior o questionamento. Não se quer fechar acordos definitivos, mas revelar novos olhares políticos sobre o mundo. Não destruir a ideia de modernidade em propor um retorno saudosista ao passado, mas revelar as incongruências da modernização forçada e propor formas alternativas de se pensar o país. “Se o diplomata às vezes mente, ou esconde conhecimento para conseguir acordos melhores, o escritor inventa mentiras que nos possibilitam enxergar verdades maiores que as certezas aparentes”, analisa o pesquisador.

O trio, porém, destoava de muitos colegas diplomatas. Como, por exemplo, se vê no ofício de Aluízio de Magalhães, cônsul-geral do Brasil em Marselha, em 1958, em que critica a cantora Marlene, e grupos brasileiros de balé negro e frevo na Europa. “A brasileira se desmancha em movimentos epiléticos, enquanto uns negros, sem compostura, batendo tambores, saracoteavam ao derredor que nem macacos à orla da mata”, escreve o cônsul-geral.

“Os escritores-diplomatas, quando lidam com a política da escritura, sabem que o trabalho político mais importante não se liga às fronteiras físicas visíveis, mas com as formas de separação das linhas invisíveis do preconceito, da discriminação”, afirma Menezes. É nesse “lugar menor” que buscam corroer a separação e a exclusão. “Na diplomacia oficial, o trabalho é feito por meio das instituições políticas, jurídicas e econômicas. Na ‘diplomacia menor’ ele se realiza, por exemplo, pela representação do povo simples, exposto à crueza da realidade, no seu modo de lidar com a biopolítica, com os limites que devem atravessar todo dia para sobreviver”, observa. “Traduzir necessidades internas em possibilidades externas para ampliar o poder de controle de uma sociedade sobre seu destino é, no meu entender, a tarefa da política externa”, escreve o diplomata e professor da Universidade de São Paulo Celso Lafer em O Itamaraty na cultura brasileira (Instituto Rio Branco, 2001).

“A capacidade de Rosa de usar registros linguísticos diversos era, no plano literário, o correlato perfeito do primeiro item de qualquer agenda diplomática: a fixação das fronteiras, base da política externa que pressupõe uma diferença entre o ‘interno’ (o espaço nacional) e o ‘externo’ (o mundo)”, analisa Lafer. “Ele traduzia na sua literatura um dos princípios básicos da diplomacia brasileira, uma linha de ação voltada para transformar nossas fronteiras de clássicas fronteiras-separação em modernas fronteiras-cooperação”, avalia. Ao contrário de Rosa e de Cabral, que tiveram essa experiência do sertão na infância, Vinicius só vai conhecer o Nordeste e o Norte aos 29 anos, em 1942. Seu ingresso no Itamaraty ocorre no momento em que está descobrindo o país e assumindo a sua nova brasilidade e, com isso, sua produção artística começa a ser influenciada pela realidade social do Brasil e dos saberes populares.

No lugar do sertão, Vinicius insere em sua obra imagens da favela e das zonas boêmias do Rio de Janeiro. Sua permanência diplomática nos EUA o fez conhecer melhor o jazz e o cinema. Mas, ao contrário dos colegas de letras, foi o único a ser desligado do Itamaraty. Cabral havia enfrentado um processo de cassação em 1952, por Vargas, mas retornou ao ministério. O “poetinha”, não. Durante um show em Portugal, em 1968, ataca o regime militar. Contra esta e outras ações do poeta, o regime reage com uma aposentadoria compulsória. Em nota grosseira, o então presidente Costa e Silva fez questão de anotar: “Demita-se esse vagabundo”. A diplomacia libera definitivamente seu talento para a música popular.

“O texto do trio não está pautado pela luta de classes, partidos ou poder, mas pelas mediações, negociações”, observa Menezes. Nos textos dos três diplomatas aparecem imagens incômodas, dissonantes em relação ao discurso da nação desenvolvimentista simbolizada por Brasília, que o trio, cada um a seu modo, soube admirar e criticar.

“Num período em que o país quis ingressar no concerto das nações, com investimentos na modernização e no progresso, eles tinham confiança no futuro, mas desconfiavam dos processos com que se conduzia o país a esse novo estágio político e econômico”, nota o pesquisador. Então, enveredam-se pelos sertões, morros e periferias buscando valorizar os saberes e as criações populares. “A ‘diplomacia menor’ e as ‘poéticas de fronteiras’ mostram a necessidade do encontro com alguma coisa que force o pensamento a sair da sua interioridade. O movimento rumo ao exterior dos lugares convencionais contribuiu para o desenvolvimento da imaginação e do olhar crítico dos autores”, diz Menezes.

Entrevista de Göran Therborn sobre a teoria marxista na modernidade/pós-modernidade

Olá, pessoal!

Disponibilizo a entrevista do sociólogo sueco Göran Therborn publicada no Valor Econômico de hoje (18/04/2012).

Candidatos ao CACD não devem deixar de ler essa entrevista, pois  Therborn confere uma leitura muito interessante sobre a sociedade contemporânea e o encaixe da teoria marxista nesse contexto.

Boa leitura!

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A crise global revigorou o marxismo, diz sociólogo

Desde que o prefixo “pós” se antepôs a todos as categorias do pensamento contemporâneo, ainda nos anos 1950, houve uma expansão intensa do seu uso. Do pós-moderno nas artes plásticas à pós-modernidade como generalização de todos os pensamentos que pretenderam, ao longo do século XX, superar os conceitos modernos, foi um salto de poucos anos e muitas denominações. Pós-estruturalista, pós-humano, pós-gênero, pós-feminista, pós-capitalista – era como se o “pós” pudesse revigorar de conteúdo conceitos que pareciam estar ultrapassados em suas principais características. Uma vez revistos e atualizados pela mágica do “pós”, esses conceitos retomam seu lugar de valor para o pensamento.

Embora reconheça certa inflação no uso do “pós”, o sueco Göran Therborn, 70 anos, professor emérito de sociologia da Universidade de Cambridge, quis se valer dele como estratégia para apontar o frescor do pensamento marxista, tão em voga no período pós-crise americana de 2008. Na semana passada, ele percorreu o Brasil, de Porto Alegre a Belém, passando por São Paulo, para lançar “Do Marxismo ao Pós-marxismo?” (Boitempo Editorial), seu segundo livro traduzido no país. Admirador das ciências sociais no Brasil, Therborn é um entusiasta dos movimentos sociais da América do Sul, que embalam seu ideal de que “outro mundo é possível”. “Um cientista social progressista hoje tem poucas razões para chorar”, diz ele na entrevista a seguir:

Valor: A globalização, o neoliberalismo e todas essas transformações que se generalizam no termo pós-modernidade podem ser pensados ainda a partir de Marx? O que há de atual nesse pensador alemão do século XIX que possa ser útil aos grandes dilemas do século XXI?

Göran Therborn: Primeiro, é preciso fazer algumas classificações. A globalização é o voo da modernidade, e o neoliberalismo é uma variante da modernidade de direita. Em outras palavras, temos aqui mutações do modernismo e da modernidade, e não a pós-modernidade. Sobre a globalização, estamos no mesmo terreno que Marx, o primeiro grande teórico social da modernidade contemporânea, como foi Baudelaire no que diz respeito à pintura e à poesia. O “Manifesto Comunista” foi a primeira inovação mais eloquente da globalização. Por isso, Marx foi recentemente ressuscitado, por exemplo, por Thomas Friedmann, do “New York Times”. O economista Nouriel Roubini, que previu a crise de 2008, reconheceu a importância de Marx como o principal analista da dialética e das contradições do capitalismo. O capitalismo é autodestrutivo – e digo isso sem qualquer tom apocalíptico -, e a expansão dos baixos salários é insustentável, como Taiwan e Hong Kong estão aprendendo agora.

Valor: “Do Marxismo ao Pós-marxismo?” é um título estranho para um livro. Primeiro, porque faz uma interrogação que fica sem resposta. Depois, porque introduz no vocabulário da pós-modernidade o pós-marxismo como um conceito. Trata-se, afinal, de uma superação, de um avanço ou de um progresso do marxismo?

Therborn: O ponto de interrogação do título se refere a um futuro em aberto, ainda incerto. Comparado com Confúcio, Platão, Aristóteles, Maquiavel, John Locke, Adam Smith, ou com Dante, Cervantes e Shakespeare, Marx ainda é jovem. Ele será relido, reinterpretado e reinvocado ainda muitas vezes no futuro. O que é duvidoso é se haverá uma identidade coletiva para “os marxistas”. Daí o ponto de interrogação. Para Marx, isso não significava muito. Como ele afirmou, numa provocação: “Eu não sou marxista”.

Valor: Pós-marxismo, pós-capitalismo, pós-feminismo, pós-modernismo, pós-humanismo. O prefixo pós virou uma panaceia?

Therborn: Você está certa, houve uma inflação muito grande deste prefixo “pós”. No entanto, o impulso intelectual pós-modernista era extremamente desafiador e importante, com suas investigações sobre as suposições mais básicas do nosso tempo – de “progresso”, “desenvolvimento” etc. São questionamentos que têm sido muito frutíferos para fins políticos, bem como para um autoquestionamento intelectual.

Valor: O senhor cita a Universidade de São Paulo (USP) como referência para o não conformismo ao pensamento dominante e como suporte ao pensamento marxista de esquerda. O senhor está atualizado sobre a produção acadêmica brasileira neste sentido? Em que um país periférico como o Brasil pode contribuir para o desenvolvimento de teorias alternativas?

Therborn: Tenho um grande respeito pelas ciências sociais brasileiras, que conheço um pouco, não só da USP, mas também de outras universidades e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Eu acredito que a academia e a inteligência brasileiras certamente têm contribuições muito importantes intelectuais para o mundo.

Valor: “Sexo e Poder”, seu primeiro livro traduzido no Brasil, discute as mudanças na instituição familiar em todo o mundo no século XX. Em que medida a mudança na família também alterou o modo de produção para o qual a crítica de Marx se dirigia?

Therborn: A família e os diferentes sistemas familiares no mundo inteiro continuam a ser importantes. Como mostrei em meu último livro, “The World” (Cambridge, 2011), menos da metade da força de trabalho mundial está empregada numa relação direta capital/trabalho. Um terço da mão de obra é formado por trabalhadores por conta própria, um sexto são membros da família patriarcal ajudando nas atividades econômicas, e de 5% a 10% estão em empregos públicos.

Valor: Ou seja, o fim do emprego industrial, que já não concentra mais a maioria da classe trabalhadora. É a isso que o senhor atribui o que chama de “fracassos e derrotas da esquerda”?

Therborn: Sim, a teoria de Marx se concentra nos circuitos do capital, inclusive nos mercados transnacionais. Mas é verdade, um desenvolvimento não ideológico das ideias de Marx tende a destacar que a virada do capitalismo avançado em direção à desindustrialização significou um enfraquecimento estrutural do trabalho e, consequentemente, da esquerda.

Valor: O senhor se refere ao “encontro malsucedido entre os manifestantes do mítico maio de 1968 e os movimentos trabalhistas”. O que deu errado neste encontro?

Therborn: Basicamente, foi um não-encontro entre a utopia radical do movimento estudantil, do pragmatismo, por mais de esquerda que fosse, e do movimento sindical. Na melhor das circunstâncias, houve um longo período de contato entre o pragmatismo trabalhista de Lula, que se transformou, sem renegá-lo, no radicalismo de Dilma.

Valor: O senhor diz estar interessado nos “movimentos críticos ao modernismo que não são, contudo, defesas de direita do privilégio e do poder tradicionais”. Que movimentos são estes? O tom geral do seu livro é de apelo a uma renovação no pensamento da esquerda. O senhor é um otimista?

Therborn: Os movimentos de direitos humanos, os movimentos feministas, movimentos das crianças, movimentos homossexuais, movimentos urbanos, movimentos de direitos de sustentabilidade. Há certamente sinais de despertar crítico. A tendência para a desigualdade intranacional e extrema polarização econômica levou a deslegitimação para uma dimensão impressionante, inclusive na última reunião de Davos. A “Primavera Árabe” colocou o capitalismo oligárquico em xeque, mesmo que se abram fluxos internacionais de comércio e capital. A América do Sul, exceto Chile e Colômbia, é um laboratório de transformação social. E a direita no Chile está sob forte pressão popular, dos movimentos estudantis e suas repercussões sociais. Um cientista social progressista hoje tem poucas razões para chorar, mesmo que o mundo permaneça sendo terrivelmente desigual. Outro mundo continua sendo possível.

Propostas de Produção de Texto para o CACD 2012 – Inéditas – Blocos 4, 5 e 6.

Olá, pessoal!

Conforme o combinado, eis os três blocos com propostas de produção de texto para a 2ª Fase do CACD desta semana. Nas duas próximas semanas, serão publicadas mais seis propostas. Cada proposta está separada em um caderno com folhas de rascunho e de texto definitivo. Todas as propostas estão sob licença de Direitos Autorais no Creative Communs, ou seja, você poderá copiá-las, distribuí-las para os amigos e até publicá-las em seu blog/site ou em suas redes sociais, sempre citando a fonte e a autora, sem finalidade lucrativa.

Aproveitem as propostas. Para qualquer dúvida, entrem em contato pelo e-mail profa.vivianmuller@gmail.com.

Bons estudos!

Forte abraço,

Profa. Vivian Müller.

 BLOCO_4_Propostas_Produção_CACD_2012_Vivian_Muller

 BLOCO_5_Propostas_Produção_CACD_2012_Vivian_Muller

 BLOCO_6_Propostas_Produção_CACD_2012_Vivian_Muller

CACD 2012 – Indicação bibliográfica resumida para a 2ª Fase

Olá, aprovados para a 2ª Fase do CACD 2012!

Conforme eu havia prometido esta semana, apresento uma bibliografia muito enxuta que cobre todo o panorama do pensamento social brasileiro, da crítica literária e das teorias sociais sobre modernidade e estabelecimento de identidades nacionais. As cinco primeiras obras são indicações constantes do programa do curso Leituras Brasileiras, ministrado no IRBr. As demais são indicações minhas para subsidiar análises de contexto.

Essas são as melhores bibliografias para tão pouco tempo. No curso extensivo de Produção de Texto 2013, o aluno receberá uma bibliografia extensa, completa e específica que irá prepará-lo, definitivamente, para 2ª Fase, além, é claro, da melhor e mais completa teoria linguística de produção de texto.

Acredito ser, totalmente, factível a leitura e a compreensão dessas obras até a data do exame.

1) VELOZO, Marisa; MADEIRA, Angélica. Leituras Brasileiras – Itinerários no pensamento social e na literatura. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 1999. 212 p. Veja mais informações em: http://bit.ly/HkRFtS.

2) SANTIAGO, Silviano. O cosmopolitismo do pobre. Crítica literária e crítica cultural. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. 251 p.

3) SOUZA, Ricardo Luiz de. Identidade nacional e modernização na historiografia brasileira: Um diálogo entre Romero, Euclides, Cascudo e Freyre. Tese de Doutorado em História, Universidade Federal de Minas Gerais, 2006. 421 p. Disponível em: http://bit.ly/H1aG7P.

4) MORAES, Eduardo Jardim de. A brasilidade modernista – sua dimensão filosófica. Rio de Janeiro: Editora Graal, 1978. 198 p.

5) CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. Estudos de Teoria e História Literária 11. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre o Azul, 2010. 204 p.

6) SILVA, Tomaz Tadeu (Org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. 10. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2011. 133 p.

7) GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. Trad. Raul Fiker. São Paulo: Editora da Unesp, 1991. 193 p. Combinar essa leitura com GIDDENS, Antony. Modernidade e Identidade. Trad. Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2002. Capítulo 1. (p. 17 -38).

Uma dica: devido ao pouco tempo até o exame, oriento que vocês tentem conseguir as obras diretamente com as editoras, pois, devido às lojas virtuais, acelera o processo de aquisição, sem a necessidade de uma livraria intermediando a compra. A maioria das indicações não está disponível em lojas físicas pela sua especificidade.

Para qualquer dúvida sobre as indicações, escreva para profa.vivianmuller@gmail.com.

Boa leitura! Sucesso nesta nova etapa!

Forte abraço,

Profa. Vivian Müller.

Propostas de Produção de Texto para o CACD 2012 – Inéditas – Blocos 1, 2 e 3.

Olá, pessoal!

Terminados os estudos para o TPS, quem tem a chance de ser chamado para a 2ª Fase deve usar esse mês para produzir tantos textos quanto conseguir. O grande problema é conseguir tantas propostas seguindo a metodologia analítica que o IRBr cobra dos candidatos ao CACD.

Pensando nisso, resolvi disponibilizar algumas das propostas que os alunos do meu Curso de Produção de Texto Preparatório para o CACD 2012 receberam desde a metade do ano passado. Como o curso é extensivo, ofereço muitas propostas que eu mesma elaboro seguindo o padrão analítico cobrado no exame. Publicarei doze propostas completas (com redação e questões analíticas), sendo três por semana. Cada proposta está separada em um caderno com folhas de rascunho e de texto definitivo. Todas as propostas estão sob licença de Direitos Autorais no Creative Communs, ou seja, você poderá copiá-las, distribuí-las para os amigos e até publicá-las em seu blog/site ou em suas redes sociais, sempre citando a fonte e a autora, sem finalidade lucrativa.

Quero aproveitar para conversar com vocês sobre a preparação para a 2ª Fase. O IRBr é muito enfático ao recorrer, ano após ano, a uma expressão emblemática em seu Manual do Candidato. Nas orientações para a prova discursiva de Língua Portuguesa está consignado que a Banca espera “maturidade intelectual” do candidato.  Meus caros, lamento informa-lhes, mas é impossível conseguir tal proeza intelectual em apenas um mês de estudo, pois são cobrados conhecimentos de várias áreas — teorias linguísticas diversas, teoria social crítica, literatura, crítica literária, antropologia, cultura brasileira etc — e, principalmente, comportamento intelectual crítico, analítico e associativo em relação a esses diversos campos teóricos.

Para os que têm chance de ir para a 2ª Fase este ano, leiam, prioritariamente, o livro “Leituras Brasileiras”, das professoras do IRBr Mariza Veloso e Angélica Madeira. Vocês podem acessar o blog Biblioteca da Profa. Vivian Müller e ler a apresentação do livro e comprá-lo na Livraria Cultura por meio do mesmo blog. Tenho postado nos meus blogs e nas minhas redes sociais (principalmente, no Grupo Leituras Brasileiras para o CACD/IRBr) diversas referências bibliográficas que são as mesmas utilizadas pelas professoras no curso do IRBr. Vale a pena revisitar essas postagens. Leiam muito e produzam muitos textos.

Aproveitem as propostas. Qualquer dúvida, entrem em contato pelo e-mail profa.vivianmuller@gmail.com.

Bons estudos!

Forte abraço,

Profa. Vivian Müller.

 BLOCO_1_Propostas_Produção_CACD_2012_Vivian_Muller

 

BLOCO_2_Propostas_Produção_CACD_2012_Vivian_Muller

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COMENTÁRIO E RESOLUÇÃO DE PROVA – Ministério Público da União (MPU) 2010.

Olá, pessoal!

Hoje, vou tratar da prova discursiva de Técnico Administrativo do concurso do Ministério Público da União (MPU/2010), que ficou conhecida como “a prova da discórdia”. Pelo menos oito em cada dez candidatos que tiveram suas provas discursivas corrigidas receberam nota inferior a 5,0 pontos. Entre esses alunos, a maioria obteve nota entre 1,0 e 3,0 pontos. Resumo da brincadeira: centenas de recursos contra as correções realizadas pelo CESPE (banca realizadora do concurso), irrisórios deferimentos de pontos capazes de alterar, significativamente, o cenário pré-recursal e, claro, muita gente competente eliminada do concurso em virtude da prova discursiva.

Indignados por considerarem que o tema da prova extrapolava o conteúdo programático estabelecido pelo edital (ou seja, atualidades), os candidatos tentaram cancelá-la. Naquele momento, lembrei-me das aulas que havia ministrado para os candidatos ao MPU. Certamente os havia orientado a respeito da sistemática que o CESPE vem adotando: ainda que o edital informe que o conteúdo será atualidades, esta banca tende a estabelecer paralelos entre um assunto da atualidade e um ou mais aspectos do conteúdo programático para o cargo sob avaliação. E foi, justamente, isso que ocorreu no concurso do MPU/2010 para o cargo de Técnico Administrativo.

1.      Analisando o enunciado da questão.

Não vamos nos debruçar sobre as controvérsias em relação à extrapolação, que foi alegada pelos candidatos. Não vamos porque não há controvérsia a ser esclarecida. No conteúdo programático para a prova objetiva, consta o estudo do planejamento. A cobrança, na prova discursiva, desse conteúdo da prova objetiva coordenado com um tema da atualidade (preparativos para a Copa do Mundo da FIFA de 2014) é plenamente aceitável, pois essa sistemática já está consolidada em exames anteriores realizados pelo CESPE. O objetivo da banca em realizar provas discursivas com essa organização sistêmica é (a) evitar “achismos” na confecção de um texto de caráter argumentativo e (b) checar se o candidato tem a capacidade intelectual para relacionar os conteúdos teóricos com situações práticas.

A prova discursiva para o cargo de Técnico Administrativo do MPU/2010 tinha o seguinte enunciado:

Os atrasos na criação e na aprovação de projetos de infraestrutura e a falta de planejamento para a Copa do Mundo de 2014 estão preocupando os membros do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva. Segundo um dos representantes regionais dessa organização, esses atrasos podem gerar prejuízos de tempo e de dinheiro, visto que as obras e os serviços tenderão a ficar mais caros.

Internet:<www.atarde.com.br> (com adaptações).

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema.

 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO, TÁTICO E OPERACIONAL) PARA O SUCESSO DA REALIZAÇÃO DA COPA DO MUNDO DE 2014 NO BRASIL

A primeira coisa que você tem de fazer ao decidir escrever um texto é ter a certeza de que ele é parte de um processo de comunicação estabelecido entre você e a banca. Nesse processo, é necessário compreender exatamente o que a banca “diz” a você no enunciado, ou seja, você deve construir o sentido do texto dela para que consiga, na produção do seu texto, responder à comunicação. Como se faz isso? Bom, eu diria que lendo criticamente a proposta. E como se lê criticamente? Buscando alcançar o conhecimento que deve ser partilhado por meio de um processo constante “ativação” e “costura” de conhecimentos científico, acadêmico, linguístico, de mundo, de costumes etc.

Vejamos os conhecimentos que deveriam ter sido ativados pelos candidatos ao cargo para escrever a redação.

A)      No texto motivador, o autor afirma “esses atrasos podem gerar prejuízos de tempo e de dinheiro”.

Conhecimento ativado de Administração Geral. O candidato deveria ter ativado esse conhecimento sob a forma de implícito, lembrando-se dos princípios de eficácia (economia racional [tempo, mão de obra, material]), de eficiência (alcance das metas estabelecidas) e de efetividade (transformação da realidade). Evidentemente, o autor do texto motivador está chamando a atenção para a não observância do princípio da eficácia pelos organizadores/realizadores brasileiros da Copa da FIFA de 2014. É possível não haver uma economia racional dos recursos produtivos e, ainda assim, observar os princípios de eficiência e de efetividade? Eu creio que sim. Claro que haverá um custo extra para cumprir as metas e, eventualmente, transformar a realidade.

B)     No tema, a banca insere o segmento: “sucesso da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil”.

Você concorda que esse segmento gera certa dúvida a respeito do que exatamente a banca está falando? Mas não é tão complicado assim! Alcançar o sucesso, em se tratando de atividade do Estado, significa observância ao princípio de administração geral da eficácia de gestão e ao princípio de Direito Administrativo da eficiência da administração pública.

Conhecimento ativado de Direito Administrativo e/ou Administração Pública. Outro conteúdo que deveria ter sido ativado pelo candidato é o princípio da eficiência da administração pública, segundo o artigo 37 da Constituição Federal. Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2008. p. 79) ensina que esse princípio, advindo com a Reforma Administrativa Federal, “submete toda atividade do Executivo [gestão da coisa pública] ao controle de resultado”. Assim, o Estado deve, além de observar o princípio da eficácia (principalmente, poupando dinheiro público), submeter-se ao princípio constitucionalmente imposto da eficiência. Alguns especialistas advogam a tese de que o Estado deveria mirar seus projetos sob a égide do princípio da efetividade, ou seja, buscando em todas as suas ações transformar a realidade do país. Isso se aplicaria, por exemplo, no projeto Copa da FIFA de 2014, pelo qual todas as obras deveriam tornar-se benefícios para a população e não apenas servir aos propósitos do evento. No caso específico da nossa redação, fiquemos apenas com os princípios da eficácia e da eficiência para inferir o valor do termo “sucesso”.

C)     No tema, a banca insere o segmento: “importância do planejamento (estratégico, tático e operacional)” para o evento Copa do Mundo de 2014.

Conhecimento ativado de Administração Geral e Pública. É, neste ponto, que centenas de candidatos comprometeram seu texto e, por conseguinte, reprovaram no concurso. Podemos dizer que, neste segmento linguístico, estava a chave para resolver a questão. A banca desejava que o candidato estabelecesse um paralelo argumentativo de como os três níveis de planejamento, se realizados de maneira correta, podem contribuir para evitar gastos desnecessários ao erário e para garantir que todos os preparativos para a realização do evento sejam realizados.


2.       A estratégia de construção do texto.

Ativando os conhecimentos acima descritos, o candidato preparado observava que a banca NÃO desejava que ele conceituasse ou descrevesse os três níveis do planejamento. Ao contrário, a banca pressupunha que o candidato dominasse tal teoria e esperava que ele relacionasse esse conhecimento teórico com uma circunstância real atual, ou seja, a Copa do Mundo de 2014. Os guias do planejamento de um evento como a Copa do Mundo devem ser, conforme indicação indireta presente no enunciado, os princípios da eficácia (racionalidade econômica) e da eficiência (cumprimento de prazos e metas).

A única estratégia viável, neste caso, é defender a tese de que o planejamento é responsável pelo sucesso do projeto público Copa do Mundo de 2014. Defendendo essa tese, o candidato precisaria demonstrar COMO cada um dos níveis do planejamento (estratégico, tático e operacional) deveria ser empregado no caso concreto.

Abaixo, vejamos quatro exemplos de textos originais de candidatos que concorreram ao cargo de Técnico Administrativo do MPU/2010. Nos dois primeiros exemplos, os textos foram construídos de acordo com o solicitado pela banca (ambos os candidatos obtiveram nota 9,87) e, nos dois últimos exemplos, os textos não foram elaborados de acordo com o solicitado (um candidato recebeu nota 2,1 e o outro, 4,08).

TEXTO 1

Redação de ex-aluno da Profa. Vivian Müller. A nota atribuída ao candidato foi de 9,87 pontos, sendo que a nota de conteúdo (organização e estrutura geral do texto) foi de 10,0 pontos.

TEXTO 2

Redação de candidato disponível na internet. A nota atribuída ao candidato foi de 9,87, sendo que a nota de conteúdo (organização e estrutura geral do texto) foi de 10,0 pontos.

TEXTO 3

Redação de candidato que solicitou recurso à Profa. Vivian Müller. A nota atribuída ao candidato foi de 2,1 pontos, sendo que a nota de conteúdo (organização e estrutura geral do texto) foi de 2,3 pontos.

 

TEXTO 4

Redação de candidato que solicitou recurso à Profa. Vivian Müller. A nota atribuída ao candidato foi de 4,08 pontos, sendo que a nota de conteúdo (organização e estrutura geral do texto) foi de 4,6 pontos.

3.     Apresentando um texto nota máxima.

A seguir, um exemplo de texto que elaborei para que vocês vejam como deve ser estruturado um texto nota máxima em termos de conteúdo, de organização e estrutura das ideias e de domínio da norma culta da Língua Portuguesa.

Como acontece com todos os projetos de grande vulto, a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, deverá ser resultado de um rigoroso planejamento, efetivado nos três níveis de organização. A observação constante dos objetivos nos níveis estratégico, tático e operacional conferirá, ao longo do projeto, a certeza de que o evento alcançará êxito.

O planejamento estratégico para a Copa de 2014 já foi consolidado no Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa de 2014. Tal plano, baseado nas garantias que o Governo brasileiro ofereceu à FIFA quando se candidatou a país-sede da Copa de 2014, estabeleceu os objetivos e as metas gerais para a realização do evento, como, por exemplo, a classificação das ações e projetos (governamentais e não governamentais) de acordo com a prioridade de suas realizações.

Com base nas informações e orientações do Plano Estratégico, atuarão, em nível tático, os órgãos responsáveis pela governança da gestão, que são o Comitê Gestor da Copa (CG-COPA), o Comitê Executivo da Copa (CE-COPA), o Comitê Organizador Local (COL) e as Câmaras Temáticas Nacionais (CTNs). Essas entidades têm, conjuntamente, como objetivo coordenar e consolidar as ações e projetos (governamentais e não governamentais), estabelecer metas e monitorar resultados de implementação e execução do Plano Estratégico.

Também é competência dos membros da governança para a Copa de 2014 realizar o planejamento operacional. Essa atividade deverá ser desempenhada em grupos de trabalho internos específicos para cada ciclo de gestão delimitado pelo Plano Estratégico. Esses ciclos são: primeiro, os projetos de infraestrutura (mobilidade urbana, estádios, aeroportos e portos); segundo, os projetos complementares de infraestrutura de suporte e serviços (segurança, infraestrutura turística, energia, telecomunicações) e terceiro, operações e ações específicas (saúde e prevenção, fornecimento de energia).

Dessa forma, o rigor na elaboração, implementação e execução do planejamento da Copa do Mundo de 2014 será decisivo para o sucesso do evento, em termos de eficácia e eficiência de gestão. Com todos os níveis de planejamento já definidos e estruturados, o Governo brasileiro, em parceria com a iniciativa privada, deve empenhar-se em fazer com que o evento se torne um marco na história das Copas e no desenvolvimento do Brasil.

SE QUISER, BAIXE O ARQUIVO COMPLETO DESTE COMENTÁRIO E RESOLUÇÃO EM PDF CLICANDO NO ARQUIVO: COMENTÁRIO E RESOLUÇÃO DE PROVAS – Ministério Público da União 2010 – Profa Vivian Müller

Espero que essa nossa “conversa” tenha sido útil aos seus estudos!

Até a próxima.

Profa. Vivian Müller.

DÚVIDA – Fonética e Fonologia – Subsídio e subsistência

Dúvida enviada por aluno:

“As palavras subsídio e subsistência tem o “s” na mesma posição. Qual a pronúncia correta do “s” em ambas, s com som de “z” ou não? Espero resposta. obrigado!”

Mensagem enviada por Golbery.

Resposta dos professores Vivian Müller e Joel Marinho.

A literatura linguística não é esclarecedora em responder a essa questão, embora exista uma parte da gramática normativa que prescreva a correta pronúncia dos fonemas, a Ortoépia. Dessa forma, a explicação mais efetiva em termos normativos é apenas a indicativa das possíveis pronúncias corretas, sem apresentar um padrão normativo que possa explicar casos idênticos.

Iniciemos a análise pelo estudo do termo “subsistência”. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001, p. 2.628) e o Dicionário de Questões Vernáculas (2008, p. 538-539) apresentam apenas uma possibilidade fonética para este termo: sub/s/istência. Por outro lado, a atualíssima edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) (2009, p. 769) aceita duas pronúncias: sub/s/istência e sub/z/istência.

A distinção das pronúncias apresentadas pelo VOLP deve ser analisada com relação ao papel das cordas vocais dentro da classificação consonantal dos fonemas, conforme esclarece o quadro a seguir:

  Modo de articulação(1) Ponto de articulação(2) Papel das cordas vocais(3)
/s/ Constritivo Fricativo Alveolares SURDA
/z/ Constritivo Fricativo Alveolares SONORA

Nota explicativa:

(1) O modo de articulação das consoantes diz respeito à obstrução da passagem do ar de forma plena ou parcial através da cavidade bucal. Pode ser oclusivo (articulação momentânea) ou constritivo (articulação contínua). Dentro da classificação constritiva, temos uma distinção entre modos constritivos fricativos (produz ruído comparável a de uma fricção), constritivos laterais (a corrente de ar passa pelos dois lados da cavidade bucal) e constritivos vibrantes (provoca uma série de oclusões breves da corrente respiratória).

(2) Ponto de articulação é o obstáculo (total ou parcial) necessário à articulação das consoantes. Podem ser: bilabiais (contato dos lábios), labiodentais (constrição do ar entre o lábio inferior e os dentes incisivos superiores), linguodentais (contato da ponta da língua com a face interna dos dentes superiores), alveolares (aproximação da língua aos alvéolos superiores dos dentes ou pelo encontro desses órgãos), palatais (encontro do dorso da língua com o palato duro) e velares (encontro da parte posterior da língua com o palato mole).

(3) O papel das cordas vocais diz respeito a sua vibração ou não durante a pronúncia. Essas vibrações podem ser classificadas como surdas (quando não há vibração, como nas consoantes /p/, /t/, /k/, /f/, /s/ etc) ou sonoras (quando há vibração, como nas consoantes /b/, /d/, /g/, /z/, /r/, /m/, /n/, /l/ etc).

Dessa forma, a distinção, em termos sonoros, dos fonemas /s/ e /z/ é importante, pois a presença ou ausência de vibração das cordas vocais muda substancialmente a pronúncia e a classificação fonética do termo “subsistência”.

Com relação ao termo “subsídio”, todos os dicionários de referência apresentam somente uma pronúncia correta: sub/s/ídio. Logo, não há controvérsia fonética concernente a este vocábulo.

Infelizmente, não há uma construção normativa que indique um padrão fonético para o caso do encontro consonantal “bs” quando antecedido e precedido de vogal (V-C-C-V). Napoleão Mendes de Almeida (2008, p. 538-539), tentando aclarar o leitor, faz a seguinte constatação:

“Devemos ater-nos à pronúncia usual”, ou seja, “pronúncia (sis), que revela o som fricativo forte do s […], como em subsoberano, subsolo, subserviente, subsepto, subsequente, subseguir, […] subsistente”. “[…] Se no ler a explicação o leitor pronunciou ‘subzistente’, volte a lê-la outra vez, pronunciando ‘sub-ssis-tente’, que esta é a pronúncia”. “Não nos baseemos em ‘obséquio’ para o som de s de subsídio, subsistência.” (Adaptamos e sublinhamos)

O fato de haver uma construção fonética idêntica (V-C-C-V) que não resulte em idêntica pronúncia, demonstra não existir um padrão normativo a ser seguido, mas, como aconselha o autor citado, convém seguir o padrão usado correntemente para o caso em análise.

Cabe aqui uma nota sobre o padrão fonético atual. Como afirmamos, a edição mais atual do VOLP (5ª edição, 2009) aceita a pronúncia do vocábulo “subsistência” com som de /s/ e de /z/. Essa aceitação também é constatada na 4ª edição (2004) deste Vocabulário, porém nas edições (1981, 1988 e 1999, e suas reimpressões até 2003) não há referência à pronúncia sub/z/istência. Como não há uma explicação sobre os motivos da nova entrada no Vocabulário, supomos que essa aceitação seja justamente por se ter tornado usual a pronúncia sub/z/istência. Talvez o mesmo fato ocorra com o termo “subsídio” daqui a algum tempo. A língua é um sistema dinâmico, logo essas mudanças acontecem, principalmente quando não há um padrão normativo a ser seguido, como é o caso das palavras analisadas.

As gramáticas, por seu turno, apenas fazem constar os padrões mais correntes, sem se ater às particularidades, como nos encontros consonantais de “bs” precedidos e seguidos por vogais.

Diante disso, estão corretas, conforme o nosso entendimento, as seguintes pronúncias: sub/s/ídio (única pronúncia aceitável para este termo) e sub/s/istência ou sub/z/istência (ambas as pronúncias são aceitáveis).

Bibliografia:

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Block Editores, 1981.

__________ . Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Block Editores, 1998.

__________ . Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1999.

__________ . Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004.

__________ . Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5. ed. São Paulo: Ed. Global, 2009.

ALMEIDA, Napoleão M. Dicionário de questões vernáculas. 4. ed. São Paulo: Ed. Ática, 2008.

AZEREDO, José Carlos. Fundamentos de gramática do português. 3. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2004.

CUNHA, Celso Ferreira. Gramática de Base. 4. ed. Rio de Janeiro: Ministério da Educação; Fundação de Assistência ao Estudante, 1986.

HOUAISS, A.; VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2001.

LUFT, Celso Pedro. Moderna gramática brasileira. 2. ed. São Paulo: Ed. Globo, 2002.

A guerra dos Rosas

RESENHA CRÍTICA E COMENTADA

 

   A Guerra dos Rosas

     A experiência de salvar judeus na Alemanha nazista marcou a vida e a obra de Guimarães Rosa e sua mulher Aracy

Carlos Haag

     Edição Impressa 189 – Novembro 2011

Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4562&bd=1&pg=5&lg=

VERSÃO PDFA-Guerra-dos-Rosas_Haag_Revista-FAPESP

A historiadora brasileira Mônica Schpun, da École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris, começou a pesquisar a vida de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (1908-2011), segunda mulher do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), para fazer justiça à história de Aracy, que, funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo, ajudou a conceder inúmeros vistos de entrada no Brasil a judeus, apesar das instruções em contrário de circulares secretas do Itamaraty nos tempos de Vargas.

A história nunca foi contada em profundidade e é comum atribuir todo o mérito ao escritor, pois ele é que teria o poder real de assinar os passaportes. O projeto acaba de virar o livro Justa – Aracy de Carvalho e o resgate dos judeus trocando a Alemanha nazista pelo Brasil (Record). Essa tão esperada biografia é importante, pois falar de Aracy é não só descobrir a grande influência que ela teve na obra do escritor, como voltar ao momento em que Rosa viveu na Alemanha, onde os dois se conheceram e viram juntos os horrores da guerra e do regime nazista. Ao mesmo tempo, essa experiência permitiu ao escritor ir mais a fundo nas “maravilhas da cultura alemã”, usada, mais tarde, como fermento de suas maiores criações, cujas expressões máximas aparecem na violência de Riobaldo e no dilema faustiano da trajetória do vaqueiro de Grande sertão: veredas, aliás, dedicado a “Ara”, apelido de Aracy. São, note-se, experiências contraditórias da mesma cultura que resultaram num dilema cuja resolução levou Rosa a repensar sua escrita. O ponto em comum entre elas é Aracy.

Batizada de “Anjo de Hamburgo”, ela é a única mulher citada no Museu do Holocausto, em Israel, como um dos 18 diplomatas que salvaram judeus da morte, e a única brasileira merecedora dessa honraria, ao lado do embaixador Souza Dantas, que concedeu, desobedecendo ordens do governo varguista, vistos de entrada no Brasil para judeus franceses. Em 1982, ela foi reconhecida como “Justa entre as Nações”, um título honroso dado por Israel para pessoas que ajudaram, com risco de vida, judeus perseguidos. Para ser merecedor da honraria, é preciso que várias testemunhas forneçam informações sobre as ações do “Justo” que justifiquem sua nomeação. Aracy contou com inúmeras recomendações de pessoas às quais ajudou. Apesar disso, paira sobre ela um estranho desconhecimento. Ainda mais grave é que há quem negue que teve qualquer importância na obra do marido, apesar das três décadas de convivência harmoniosa e amorosa. A biografia de Aracy traz elementos para mudar isso, não apenas resgatando sua ação corajosa na Alemanha nazista, como  também jogando novas luzes sobre seu papel na vida e obra do escritor, incluindo uma pouco discutida influência sobre a atitude de Rosa diante da política, ponto controverso na sua suposta trajetória de “apolítico”.

Os dois se conheceram em 1938, no consulado brasileiro da cidade portuária de Hamburgo, para onde o então jovem diplomata foi indicado para seu primeiro posto, o de cônsul adjunto, após concluir seus estudos no Itamaraty. Foi também naquela cidade que adotou um novo hábito, celebrizado em Grande sertão: veredas, a escrita em cadernetas de anotações (herdado, como afirma, do colega Machado de Assis). O resultado é o chamado “diário alemão”, escrito entre 1938 e 1942, uma notável e moderna “colagem” de recortes de jornais, citações, anotações precisas sobre o horário dos alarmes de bombardeios, lista de livros, relação de temperos, comentários sobre suas constantes visitas ao zoológico, descrições de paisagens e climas, ideias para futuros romances e críticas às medidas contra os judeus.

Há, porém, entre esses elementos tão diversificados uma inter-relação que não escapa ao olhar dos especialistas, como arquivar, na mesma página, a notícia da morte de um líder nazista ao lado da observação de que vendera seu carro. O texto completo, cuja publicação estava prevista para o final deste ano, permanece inédito, embargado pelas herdeiras de Rosa, embora esteja totalmente organizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quando o escritor desembarcou em Bremen, já separado da primeira mulher, que ficou com as duas filhas no Brasil, ainda não havia publicado nenhum livro, trazendo na bagagem a sua primeira obra, que pretendia revisar nas pausas do trabalho diplomático, então ainda chamado Contos e assinado por Viator. Uma mostra da importância do “diário alemão” são várias anotações “casuais” sobre os vários significados das “sagas”, forma germânica de contar histórias, e que foram fundamentais no formato e na revisão do título da primeira criação. “Ele revisou o livro e, em 1946, deixou de lado o título Contos porSagarana, um hibridismo da fusão de ‘saga’ com tupi ‘rana’, que significa ‘parecido’”, observa o professor de literatura Reinaldo Marques, da UFMG, um dos responsáveis pela edição. “Isso é só uma parte do que se pode descobrir no diário. No todo, é o único testemunho de um escritor do seu porte sobre um dos momentos mais trágicos do século XX, signo contundente do esgotamento do projeto da modernidade”, nota o pesquisador.

Rosa chega à Alemanha admirador da cultura alemã. “Mas não ignora o nazismo e fica indignado com a perseguição aos judeus. Seu encontro com a cultura alemã torna-se ambivalente, um choque entre o passado, com conotações positivas, e um presente nefasto”, afirma o professor da UFMG Georg Otte, também da equipe do “diário alemão”. “Havia duas saídas para o dilema. Uma, a ironia, como quando escreve ‘Heil Goethe!’, paródia da saudação hitlerista, após assistir ao Fausto. Outra era voltar-se para a natureza ao seu redor como território neutro que permite ao ‘eu’ evitar o confronto entre as imagens conflitantes dos alemães. A ‘paz’ da natureza ajuda a resistir à guerra que macula a imagem preconcebida dos alemães.” E foi com Aracy que observou essa Alemanha perversa. “Passeio hoje com Ara. Num recanto vi uma praiazinha para crianças. Ondazinhas vêm lamber a praia de brinquedos. Mas para estragar toda a mansa poesia do lugar arvoraram num poste uma taboletazinha amarela: ‘Lugar de brinquedo para crianças arianas’.” Ou, ainda: “Passeio de automóvel com Ara. Até crianças de 4 anos, ou menos, com o distintivo amarelo, infamante!”. Aracy acaba por colocar em xeque o Rosa “apolítico”, algo que escapa a muitos historiadores.

A reunião da biografia de Aracy ao lado do diário é uma trama complexa e plena de sutilezas que pode mudar a nossa forma de entender o universo rosiano, só compreensível quando se relacionam as várias facetas do escritor como diplomata, literato e um paradoxal observador da realidade crua da violência da guerra, que o leva, na contramão, para a fantasia, para a animalização do mundo como forma de sobreviver e digerir, pela negação, o mundo moderno. Com Aracy, teve, além da companheira de quase três décadas, uma leitora atenta e participativa em suas criações, bem como um modelo de coragem e posicionamento diante das injustiças. Afinal, ao ser perguntada por que se arriscara ao conceder vistos a judeus ela respondeu: “Porque era justo”.

Curiosamente, será com quase as mesmas palavras que Rosa irá justificar a sua participação nas ações de Aracy e descrever o seu credo como diplomata anos mais tarde numa entrevista. É possível perceber como Ara o ajuda a adotar sua atividade diplomática numa nova perspectiva e de como essa visão irá moldar a sua nova forma de perceber o mundo para transformá-lo em literatura de primeira modernidade. De um só golpe, Rosa absorveu o lado “bom” dos alemães, sua cultura, e o lado “perverso” dessa mesma civilização, encontrando para esse dilema soluções que serão a chave de sua nova literatura. Nada disso, porém, seria possível sem a presença de Aracy ao seu lado naquele momento fundamental.

Como essas duas trajetórias se reúnem? Aracy, filha de pai português e mãe alemã, aproveitou-se da nacionalidade materna para deixar o país com o filho após se separar do marido. Na Europa, não enfrentava o assédio que as mulheres divorciadas sofriam no Brasil, vivendo em liberdade. Em 1935, com a interferência do chanceler Macedo Soares, conseguiu um emprego na divisão de passaportes do consulado em Hamburgo. Nascidos, Rosa e ela, no mesmo ano (Aracy fazia aniversário com Hitler em 20 de abril), logo que se conheceram se apaixonaram. “Fui ver casas com o cônsul adjunto!”, anota. Em um mês o tom esquenta: “Estive linda. Ele me ama muito, muito!”. Já podiam compartilhar segredos. “Sem ser diplomata, Aracy tinha um cargo administrativo estratégico, lidando diretamente com a concessão de vistos, ainda que sem autoridade para assiná-los, privilégio do cônsul-geral e de seu adjunto”, explica Mônica. “Aracy ignorou a limitação do número de vistos concedidos aos judeus imposta pelo Estado Novo e continuou a prepará-los, facilitando o embarque de quase uma centena deles para o Brasil. Para que o cônsul-geral Souza Ribeiro assinasse os vistos, colocava-os entre a papelada e conseguiu passaportes sem o ‘J’ em vermelho dos judeus com amigos”, conta a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo (USP), autora do recém-lançado Cidadão do mundo(Perspectiva), continuação de suas análises da diplomacia antissemita do regime de Vargas.

Forjava atestados de residência falsos, para poder atender judeus de outras cidades onde havia diplomatas menos lenientes. Chegou a transportar na mala do carro um judeu até a fronteira da Dinamarca, só escapando pela placa do corpo consular. Visitava judeus para levar mantimentos e dava conselhos sobre como repatriar bens para fora do país, guardando valores de judeus até o embarque para evitar que fossem roubados por nazistas. “Rosa dizia que qualquer dia ela iria desaparecer. Afinal, era na casa dela que se abrigavam judeus fugitivos”, conta Tucci.

Mas era algo incoerente quando falava do papel do marido nas ações. “O Guima tinha um papel fundamental. Era ele que assinava os passaportes”, disse numa entrevista. Em outra declarou: “Nunca tive medo, quem tinha medo era o Joãozinho. Ele dizia que eu exagerava, que estava pondo em risco a mim e a toda a família, mas não se metia muito e me deixava ir fazendo”. Para Mônica, trata-se de uma questão de gênero. “Além de ele ser o diplomata, Aracy é citada como a viúva do Rosa. Mas o título de ‘Justa’, pessoal, foi atribuído somente a ela”, nota.

Mais importante, porém, do que os créditos pela ajuda aos judeus é discutir a importância de Aracy na vida e obra do escritor. Duas pesquisadoras, Elza Miné, da USP, e Neuma Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará (UFC), estudaram as cartas, ainda inéditas, do casal. “Serás tudo para mim: mulher, amante e companheira. Sim, querida, hás de ajudar-me a escrever os nossos livros. Tu mesma não sabes o que vales. Eu sei. Serás, além de inspiradora, uma colaboradora valiosa, apesar ou talvez mesmo por não teres pretensões de ‘literata pedante’”, escreveu Rosa em 1942. Em 1938, quando ela saiu de férias e ele ficou em Hamburgo, jurou: “Tenho sonhado o dia inteiro acordado com você. Reafirmo que serei absolutamente fiel, não olhando para as alemãzinhas, as quais, por sinal, todas, todas, viraram sapos!”.

“Revela-se, nestas cartas, além do amor, a importância de Aracy como leitora primeira de Rosa”, nota Neuma. “O teu, o nosso Sagarana está quase pronto. Pegue um exemplar para nós. Seria uma alegria dupla: a chegada de ARA e SAGARANA. Mas em caso de perigo, joga fora o Sagarana e venha só a ARA, que é 300 bilhões de vezes mais importante para mim”, escreve em 1946. O resumo está em outra carta: “Os outros eu conheci por ocioso acaso. A ti vim encontrar porque era preciso”.

Alguém tão zeloso deixaria a amada tão exposta? Essa é a tese que Mônica contesta, na contramão de estudos que defendem o total antissemitismo do Estado Novo como política oficial e secreta. “A gestão da imigração judaica pode ser incluída num movimento maior como a discussão sobre a restrição aos japoneses, que antecedeu medidas contra os judeus. O segredo era normal num Estado autoritário e as críticas sofridas em 1934, por causa das medidas de imigração, levaram as autoridades a manter essas discussões, não só dos judeus, em sigilo”, observa.

Para ela, lei de cotas não foi intervenção original brasileira, nem o país estava isolado nisso, com os EUA nos precedendo em uma década. “As bases da política migratória restritiva, mesmo as étnicas, nasceram antes dos refugiados judeus.” A famigerada “circular secreta 1.127”, sobre a entrada dos judeus, já afirmava que: “Por informações repetidamente recebidas das missões diplomáticas, o governo federal tem conhecimento de que, para o Brasil, se vêm dirigindo numerosas levas de semitas e que os governos de outras nações estão empenhados em afastar de seus territórios”. O que, segundo Mônica, revela que a motivação da medida seriam informações exageradas de representações diplomáticas que falavam numa “invasão de levas de semitas”. Além disso, o interesse do governo era atrair braços para a agricultura, para a qual eram reservados 80% dos vistos.

“Claro que houve racismo, mas não havia regras claras e tudo dependia da boa vontade do funcionário e de seus preconceitos pessoais. Os brasileiros eram diametralmente opostos aos nazistas, que queriam isolar os judeus. Aqui, o temor, e não só sobre judeus, era a formação de ‘quistos’ de imigrantes não integrados, por causa da política de Vargas que pregava a união dos imigrantes à sociedade nacional.” Era uma política migratória restritiva a todos e também aos judeus de modo específico. “Havia mais temor dos alemães no Brasil, vigiados pelo governo. A explosão do antissemitismo internacional foi acompanhada por uma indiferença quanto ao destino dos judeus. Isso incidiu mais nas restrições do que o antissemitismo das elites dirigentes nacionais, já que os judeus não foram reprimidos por Vargas”, analisa Mônica. Aqui, no lugar da degeneração, o estranho trazia progresso. “A mitologia nacional desvalorizava o negro e valorizava o imigrante que pudesse reconstruir-se e fundir-se nas massas.”

Assim, sem desmerecer a coragem de Aracy, suas ações não eram um risco com os nazistas, que queriam se livrar dos judeus. O risco era o governo brasileiro. “Riscos corridos com gente como Souza Dantas que, submetido a inquérito, não sofreu sanções. O mesmo não aconteceu com o ‘Justo’ português, o embaixador Aristides de Sousa Mendes, cônsul em Bordeaux, que concedeu vistos a mais de 30 mil judeus até ser destituído pelo regime de Salazar e morrer na miséria.” Nada disso diminui a coragem e o filossemitismo de Aracy que, em 1950, em Paris com Rosa, reclamava da dificuldade de obter vistos para judeus, embora sem nenhuma função na embaixada. Esse caráter combativo ajudou Rosa a reforçar e moldar seu ideal de diplomacia. “Um diplomata é um sonhador e eu jamais poderia, por isso, ser um político, que vai praticando atos irracionais. Talvez eu seja um político, mas desses que só jogam xadrez quando podem fazê-lo a favor do homem. O político pensa em minutos. Eu penso na ressurreição do homem”, disse numa entrevista, estabelecendo uma inusitada separação entre diplomata e político.

“Ao falar sobre suas ações em Hamburgo, dizia que como ‘homem do sertão’ não podia presenciar injustiças. A tirania do político era, para ele, injustiça. Para ele, a atividade dos Rosas em favor dos judeus não era exemplo de ação política, algo que o nazismo fazia, mas de ação diplomática. Quando nada escapa da tirania, é preciso abrir uma brecha no muro da injustiça. Isso motivou a separação: a razão de justiça”, analisa a embaixadora Heloísa Vilhena de Araújo, autora de Guimarães Rosa, diplomata. Só havia libertação no sonho. “Aqui se invertem os conceitos. Na verdade, a realidade foi a ação diplomática de Rosa, ao salvar vidas; o sonho, ou pesadelo, foi o nazismo. Assim, em Hamburgo, o desligamento da política significou um ato político em seu mais alto grau de refinamento. Com ele, a política encontra seus limites e vira-se contra si mesma.”

Isso se apresenta de forma clara nas anotações do “diário alemão”. “Estou escrevendo na cama, ao som dos estampidos da Flak (artilharia antiaérea). São como socos retumbantes dados por punhos enormes no bojo elástico do ar alto. Outros ribombam festivos. Uns tocam tambor”, anotou em 1940. “São registros nitidamente poéticos, apesar da fúria do momento. Para não sucumbir ao horror da guerra, os sons são alegorias de um gigante de ‘enormes punhos’. O texto rosiano vira uma fuga da ‘corriqueira problemática cotidiana’. Não aderir à crueza da realidade é critério imprescindível para a sobrevivência”, observa João Batista Sobrinho, professor da UFMG e autor de O narrável da guerra e o céu de Hamburgo(2009).

O mesmo pode explicar as inúmeras visitas ao zoológico de Hamburgo, listadas no diário, momento para reflexão, anotações e desenhos de animais. “A fixação na vida animal e na observação quase obsessiva da natureza alemã seria a proposta poética de Rosa de deslocar não só traços comuns da sobrevivência humana, mas também da ameaça de morte causada pela guerra. Nas anotações se animaliza a guerra, que se naturaliza, um esforço de diminuir sua ação destrutiva”, nota a pesquisadora da UFMG Eneida Maria de Souza, do grupo do “diário alemão”. “A ‘metaforização’ da guerra, graças à mediação animal, não é apenas um reforço da barbárie, mas, ao contrário, atração mútua e uma inquietante familiaridade.” Escreve Rosa: “Estou trabalhando o último trecho de ‘O burrinho pedrês’. Mugiram as sirenes. Alarme!”. Essa é uma das muitas passagens “animalizadas” dos bombardeios, capazes de “tingir as nuvens com cores de zebus”, com “canhões se acelerando em tempo de grugulejo de peru irado”. “São associações que fazem a leitura do espetáculo político como espetáculo sertanejo, um ‘estouro da boiada’. É a metamorfose operada pelo sertanejo-escritor em meio às bombas. A leitura da guerra ocorre pelo olhar oblíquo do diarista-escritor, empenhado na descoberta constante de uma linguagem capaz de transformar fatos em ficção, impressões pessoais em criações de linguagem”, diz Eneida.

Há mesmo a culpa pela impotência como em alguns contos do livro Ave, palavra: “O mau humor de Wotan”, “A senhora dos segredos” e “A velha”. Nos dois últimos, o narrador trabalha numa embaixada e suas personagens, mulheres, pedem ajuda para sair da Alemanha. O narrador nega o visto. “É uma nova forma diversa de falar sobre a barbárie nazista, pelas mulheres e não a partir dos líderes masculinos. Elas são pessoas comuns, abaladas pelos acontecimentos, vítimas impotentes, incapazes de controlar a história e sujeitas às decisões do regime”, analisa o historiador da USP Jaime Ginzburg, autor de Guimarães Rosa e o terror total (2008). “Não se pode salvar ninguém, embora o Brasil apareça como esperança de libertação. O narrador também não controla o processo histórico e revela-se a limitação da sua capacidade de intervenção na violência da guerra.” Nos textos literários de Rosa há uma problematização da atuação do Brasil (e do próprio escritor-diplomata) nos anos em que judeus tiveram vistos negados.

“Disso resulta a importância de analisarmos a reunião entre Rosa e Aracy na ajuda aos judeus. O diplomata convive com o escritor, à medida que o sujeito se volta tanto para as questões de política exterior como para a construção de um universo fabular. Foi a experiência do diplomata, com a mulher, que revelou a convivência entre o embaixador e o homem do sertão, valente e destemido”, avisa Eneida. “Também ajudou a construir a relação entre a natureza e o mundo da violência de seus livros. Uma prática nascida do contato com a cultura europeia em crise de guerra e distorção dos princípios de cidadania e liberdade, levando o escritor a desconfiar do apelo da racionalidade moderna, contaminada pela destruição e ruína dos valores”, avalia a pesquisadora.

Cadernos de provas discursivas do CACD de 2005 a 2011

Olá, pessoal!

Formatei as provas discursivas do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata dos anos de 2005 a 2011. Os cadernos, que posto a seguir, estão divididos por ano. Internamente, para facilitar tanto a análise das provas quanto dos textos indicados com notas máximas, separei cada uma dessas partes com entradas não imediatamente sequenciais, ou seja, cada parte está alocada em uma página diferente. Isso permite que você analise as propostas, elabore seus textos e os compare com os textos indicados nos Manuais do Candidato.

Além disso, as capas estão lindamente ilustradas com reproduções de telas de grandes nomes da pintura que retrataram a identidade brasileira. Faço constar também em cada uma das capas um texto que considero significativo sobre a contribuição dos pintores selecionados para a visão de sociedade brasileira.

Espero, sinceramente, que o material seja útil e atrativo aos seus estudos.

Eis os cadernos:

CACD_2011_Discursiva

CACD_2010_Discursiva

CACD_2009_Discursiva

CACD_2008_Discursiva

CACD_2007_Discursiva

CACD_2006_Discursiva

CACD_2005_Discursiva

Bons estudos!

Profa. Vivian Müller.